Como pode um objeto de pouco valor ou mesmo valor nenhum fazer sucesso na decoração de casas paulistanas, na metade do século passado. É a história dos cacos de lajotas de cerâmica.

Mas antes de contarmos como o marketing vislumbrou um novo mercado para sua utilização, que virou febre entre os moradores das classes operárias da capital do Estado de São Paulo, vamos mostrar, um pouco, de sua formação.

Como dito acima, na metade do século passado, entre as décadas de 40 e 50, a cidade de São Paulo era abastecida por grandes indústrias de cerâmica. O produto principal destas eram lajotas, com as medidas de 20x20cm, normalmente produzidas nas cores vermelhas, amarelas e pretas.

Utilizadas nas fachadas do comércio e também como piso das residências de classe média, o refugo, ou seja, os cacos ou sobras destas lajotas eram enterrados em grandes buracos pelas indústrias do ramo.

A história começa em um dia que, um dos empregados destas fábricas, com a pretensão de arrumar e decorar sua casa pediu um pouco desta sobra, os cacos, que iriam ser descartados e é lógico que a indústria cedeu, pois seu descarte era certo.

O empregado assentou então os cacos, cacos vermelhos, amarelos e pretos, o que fez chamar a atenção de vizinhos e comentários sobre a nova decoração foram ouvidos por todo o bairro.

Então, foi que todos quiseram ter a sua casa enfeitada, como a do operário, dando início a esta nova onda decorativa. Começaram a solicitar mais caquinhos às indústrias, e estas tiveram cada vez menos trabalho e despesa no descarte das sobras.

Jornais noticiaram a nova mania paulistana, logo, uma das empresas de cerâmica passou ter uma nova fonte de renda destas sobras. Venderam, pois, os cacos a preços módicos, na ordem de 30 % do preço do produto original.

Em pouco tempo os caquinhos faltavam nos descartes. O que antes era lixo teve seu valor muito maior do que do próprio produto em sua forma original. A desculpa usada foi o alto custo da quebra destas cerâmicas, antes o custo não existia e com a demanda no mercado este foi o pretexto para as empresas lucrarem.

A história começa a deixar de ser contada nos anos 70, quando o surgimento de prédios e condomínios integrou à população de classe média e esta deixou de usar os mosaicos feitos destes caquinhos.

E agora? Acabou? Há uma forte tendência de resgate de objetos vintages, e com o trabalho de gestão de marcas, reposicionado através da Comunicação Estratégica, o produto pode voltar com uma nova cara, mas sem perder o valor da tradição.